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Projeto 60 Minutos de Empoderamento debate como a ausência de dados sobre mulheres reforça desigualdades

                                                                    Este foi o segundo encontro do projeto 60 Minutos de Empoderamento “O homem é visto como o padrão humano, e esse padrão não abarca as mulheres”, foi assim que a advogada e especialista em Violência de Gênero e Criminologia Crítica, Patrícia Goes, iniciou o segundo encontro do Projeto 60 Minutos de Empoderamento nesta sexta-feira, 19 de junho. A iniciativa, promovida pela Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas (Vepema) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), busca, por meio da literatura, criar um espaço de escuta, reflexão e reconhecimento para mulheres em cumprimento de penas restritivas.  As discussões do encontro, que ocorreu no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, no Fórum Central, foram pautadas com base no livro “Mulheres invisíveis: o viés dos dados em um mundo projetado para homens”, da autora britânica Caroline Criado Perez. A obra fala sobre como a ausência de dados específicos sobre as mulheres molda um mundo que as ignora sistematicamente, tratando o gênero masculino como o único “padrão universal”.  Durante a apresentação, a advogada explicou que o chamado “padrão humano” utilizado em pesquisas científicas e no design de produtos é baseado em um homem caucasiano, de 25 a 30 anos, com 70 kg. Segundo ela, esse modelo desconsidera diferenças biológicas das mulheres, o que se torna ainda mais grave na medicina, onde diagnósticos e tratamentos são frequentemente baseados nesse perfil. Goes afirmou que esse viés também aparece em situações cotidianas: desde o tamanho de celulares e o design interno de carros até a falta de bolsos em roupas femininas. “Tudo isso não foi pensado pra gente”, destacou, ao ressaltar como a ausência de dados sobre as mulheres influencia o desenvolvimento de produtos e espaços.  Ao abordar o apagamento histórico das mulheres, a historiadora apresentou como exemplo a imagem clássica da evolução humana, criada pelo artista Rudolph Zallinger em 1965, que retrata apenas figuras masculinas. Ela também citou o caso da Guerreira de Birka, uma líder viking do século X que foi considerada homem durante séculos até que um exame de DNA, realizado em 2017, confirmou que se tratava de uma mulher.  Antes de encerrar o encontro, a palestrante destacou dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que mulheres são maioria no Brasil. Segundo o levantamento, elas somam 104,5 milhões de pessoas, o equivalente a 51,5% da população. “Temos peso suficiente para sermos incluídas nas pesquisas e para que nossas diferenças sejam levadas em consideração”, afirmou Patrícia, ressaltando a importância do letramento de dados como ferramenta de transformação social.  Próximo encontro  A próxima edição do 60 Minutos de Empoderamento ocorrerá no dia 17 de julho, às 11h, no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves. A discussão será baseada no livro “O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras”, da autora americana Bell Hooks.  VM/IA  Fotos: Brunno Dantas/TJRJ  
19/06/2026 (00:00)
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